DCNs das Engenharias

buscam formar profissionais preparados aos desafios do novo mercado de trabalho

Por Luciana Patella / Equipe de Comunicação CREA-RS • Colaboração Giovanna Parise, estagiária de Jornalismo

Ministro da Educação sancionou as novas Diretrizes Curriculares Nacionais em 2019, quase 17 anos desde a última versão 
Foto Marcos Oliveira/Agência Senado

Homologadas pelo Ministério da Educação (MEC) em abril de 2019, após aprovadas pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), as novas Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Engenharia (DCNs) trazem como principal objetivo “atender às demandas futuras por mais e melhores Engenheiros”. Formuladas após 17 anos da última versão, de 2002, buscam adequar o processo de ensino dos futuros Engenheiros às inovações na área industrial, trazendo a formação baseada em competências, o foco na prática, os conceitos de aprendizagem ativa e maior flexibilidade na construção dos currículos.

 

Assim, as novas DCNs visam formar profissionais mais capacitados para enfrentar os desafios da expansão da indústria 4.0, considerando a dificuldade relatada pelo setor produtivo em encontrar trabalhadores que, além de técnicos, tragam uma visão mais holística e empreendedora da profissão e formados por capacidades, conhecidas no mundo corporativo, como “soft skills” (conjunto de habilidades e competências relacionadas ao comportamento humano). O que se espera é a formação de engenheiros que somem às suas capacidades e conhecimentos técnicos habilidades das áreas humanas. 

Tais perspectivas e desafios, trazidos por essa nova industrialização, compõem o documento impulsionador das novas DCNs para a Engenharia, formulado pela Mobilização Empresarial pela Inovação, fórum vinculado à Confederação Nacional da Indústria (CNI), em conjunto com a Associação Brasileira de Educação em Engenharia (Abenge), aprovado pelo Conselho Nacional de Educação/Câmara de Educação Superior, em abril do ano passado

“A formação em Engenharia deve ser vista principalmente como um processo que envolve as pessoas, suas necessidades, expectativas, comportamentos e que requer empatia, interesse pelo usuário, além da utilização de técnicas que permitam transformar a observação em formulação do problema a ser resolvido, com a aplicação da tecnologia. A busca de soluções técnicas, como parte deste processo, se utiliza do conhecimento técnico de matemática, ciências e ciências da Engenharia, para que se alcance o resultado que seja tecnicamente viável e desejável para o usuário final”, enfoca o Parecer CNE/CES 01/2019.

  PARECER   CNE/CES  

  01/2019  

Adaptações nos Cursos e no Sistema Confea/Crea

Egressos terão currículos mais flexíveis a depender de onde cursarem a universidade, podendo ter habilitações diversas

As faculdades, institutos e universidades do País têm até abril de 2022 para adaptar a estrutura dos seus cursos de graduação às novas diretrizes. As escolas podem optar pela mudança imediata ou ao longo dos próximos dois anos, sempre alertando aos alunos das alterações realizadas. Responsável pelo registro dos egressos, assim como por conceder as habilitações a cada futuro profissional para atuação no mercado de trabalho, o Sistema Confea/Crea também está desafiado a se reformular diante da nova realidade educacional.  

O Eng. Civil e professor da Furg/Escola de Engenharia Dr. Márcio Wrague Moura avalia como positivas as mudanças apresentadas pelas novas diretrizes e considera que trarão benefícios aos egressos e à sociedade. Porém, ele, que também é conselheiro do CREA-RS, acredita que a formação por competências, e não mais por conteúdos, trará dificuldades aos Conselhos.  “Como o Sistema avaliará as atribuições destes novos profissionais num curso focado em competências e não em disciplinas? Talvez as instituições de ensino precisem discutir essa questão particular com o Sistema, a fim de evitar problemas futuros”, pondera.  

Nisso, destaca alguns pontos que considera importantes para uma maior interação entre Sistema e as Instituição de Ensino na busca por esse novo perfil de Engenheiros e Engenheiras. “Sabidamente, o Sistema é formado, em sua maioria, por profissionais atuantes no mercado de trabalho. Estes profissionais poderiam estabelecer critérios sobre o tipo de profissional que as empresas da área necessitam e, desta forma, atuar num dos pontos chave das novas DCNs que é o perfil do egresso dos cursos de engenharia. É possível fazer uma parceria Confea/Crea e Instituições de ensino (CNI) para definir que perfil de egresso a comunidade/indústria anseia? Outro ponto importante que é abordado nas novas DCNs é o acompanhamento do egresso. Uma das maneiras de trabalhar esse ponto específico é a educação continuada. As Entidades de Classe podem realizar de cursos/palestras? A Mútua pode oferecer linhas de crédito especiais para fomento a pós-graduação ou outro tipo de educação continuada? A inovação é outra novidade trazida pelas novas DCNs. Como as empresas júnior podem se beneficiar do sistema Confea/Crea? A Mútua poderia abrir linhas de crédito para estas empresas? É possível algum tipo de financiamento de startups?"

 

Também professor, o Eng. Civil Dr. Luciano Andreatta Carvalho da Costa, que atua como adjunto da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs) e Fundação Liberato (FTEC), vê como exemplos positivos a valorização dos aspectos ligados à formação de cunho ético e a importância que foi dada aos temas relacionados às consequências do processo tecnológico. “Houve uma série de episódios, na história, que tiveram alto impacto na geração de emprego para Engenheiros, nos quais não houve uma mobilização da categoria para participar da discussão e propor soluções como, por exemplo, a questão do petróleo, do sucateamento da nossa malha ferroviária em detrimento do transporte rodoviário, além das questões do financiamento da habitação popular”, relata.

Para Andreatta, são poucos os pontos negativos, visto a ampla discussão que antecedeu à aprovação das DCNs, mas considera ser ainda necessária uma maior ênfase na importância do engajamento da Engenharia nas questões como as por ele mencionadas. “Veja um exemplo: estou participando de um evento internacional chamado Fórum sobre Filosofia, Engenharia e Tecnologia (https://philosophyengineering.com), onde estão sendo discutidos temas como: inclusão digital, interdisciplinaridade, desafios éticos da Engenharia, e valores públicos da profissão em Engenharia”, relata. 

Ele vê como primordial a movimentação do Sistema, como representante da sociedade, principalmente na reflexão trazida pelas novas DCNs do papel da Engenharia no mundo. “A pergunta é: a sociedade está sendo bem assistida pelos Engenheiros e pelas Engenheiras? Pode nascer daí uma articulação do Sistema com as IES no sentido de promover esta discussão “de fora para dentro”, da sociedade para as instituições, assim como com os sindicatos (patronal e laboral), as Federações, entre outros. É preciso que se observe a importância que a Engenharia tem e sempre teve para a sociedade, e que, em algumas situações, essa importância parece que tem sido diminuída ao longo do tempo, talvez por pouco engajamento da classe em episódios importantes. Podemos comparar com o Direito, por exemplo, poucos são os assuntos de impacto social em que não há uma clara posição da categoria, algo que não tenho observado na Engenharia, mesmo em situações que nos impactam.”

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Para o vice-presidente do Confea, Eng. Osmar Barros Junior, as novas DCNs são parte de um “longo e árduo” processo. “Anteriormente à vigência deste normativo, formamos nossos profissionais em função do conhecimento adquirido e, aí está, as grandes mudança e transformação: formaremos em função da competência para determinadas atividades e campos de atuação profissional”, considera.

Para ele, são muitos os aspectos positivos, visto que as indústrias, empresas, órgãos públicos e privados estão “ávidos por essa nova sistemática de oferta de profissionais no nosso mercado”. Porém, destaca os desafios da questão operacional do processo, onde considera que será imprescindível a parceria entre instituições de ensino e mercado, “com um maior protagonismo do nosso Sistema a partir de agora”.

Sobre a qualificação dos egressos sob as novas definições, relata algumas ações estudadas pelo Confea. “Estamos apreciando no âmbito do nosso Plenário e, consequentemente, no do Sistema Confea/Creas a necessidade e a viabilidade de se estabelecer processos de acreditação de IES e de cursos, bem como a certificação dos nossos profissionais; só assim poderemos garantir essa qualificação adequada. ”

Nesse sentido, de aproximação com o sistema educacional, o Confea apresentou um Termo de Acordo de Cooperação Técnica, a ser celebrado entre o Confea e o MEC, para atendimento do Decreto 9.235/2017, que dispõe sobre o exercício das funções de regulação, supervisão e avaliação das instituições de educação superior e dos cursos superiores de graduação e de pós-graduação no sistema federal de ensino, que possibilita, no seu Artigo 91, parágrafo único, que “as ações de monitoramento da educação superior poderão ser desenvolvidas em articulação com os Conselhos profissionais”. “Será, sem dúvida nenhuma, mais um passo importantíssimo no sentido de garantirmos a melhor formação aos nossos profissionais.”

Vice-presidente do Confea,
Eng. Osmar Barros Junior

Foto Arquivo Confea

Encontro com Coordenadores de Cursos das Engenharias e Agronomia

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Buscando colaborar para o debate das questões surgidas com as Novas Diretrizes ocorreu, em outubro, o 1º Encontro com Coordenadores de Cursos. Promovido pelo CREA-RS, por meio da Comissão de Educação e Atribuições Profissionais (CEAP) e coordenadores de Câmaras Especializadas (CCCAM), o evento abordou os impactos das alterações na formação dos profissionais das áreas abrangidas pelo Sistema, os limites da capacidade técnica dos egressos dos cursos, a responsabilidade na formação e habilitação dos profissionais de nível superior, entre outros temas que perpassam a vida dos estudantes e profissionais recém-formados. A iniciativa, inédita no RS, foi muito elogiada por palestrantes e participantes, com mais de 200 coordenadores presentes na live, que pode ser assistida na íntegra no YouTube.

Habilitação e formação profissional

Coordenador da CEAP, o Geól. Antônio Viero, ressaltou a importância em abordar temas tão relevantes na formação e habilitação dos profissionais. “O Conselho e as instituições de ensino possuem finalidades diferentes, mas que acabam compondo uma estrutura única de formação e habilitação das profissões regulamentadas. Cada qual com seu papel específico, sua atuação estabelecida e sua autonomia que devem ser respeitados, mas não há sombreamento entre uma e outra.  Escola e Conselho profissional têm espaços distintos: a escola forma e o Conselho habilita, isto é, a academia é responsável por definir o perfil do profissional que será formado e o Conselho em dar a atribuição”, afirmou.

Para ele, no entanto, com a extinção dos currículos mínimos, as diretrizes ficaram mais genéricas e abertas, trazendo algumas dificuldades. “Os mesmos profissionais podem ter formações muito diferentes e cada um deles deve ser habilitado para atividades de acordo com seu currículo de formação. Não é razoável habilitar um profissional para uma atividade que ele não tem conhecimento”, ponderou, colocando em pauta um dos principais focos do encontro. “Como conferir atribuições profissionais justas, corretas, nem para mais nem para menos, para profissionais com perfis acadêmicos tão diferenciados? Os perfis de egressos de cursos diversos geram um desafio enorme”, pontuou. Enfatizou ainda que, devido à complexidade e importância dos temas, a ideia é que sejam realizados outros encontros iguais a este.

Relação instituições de ensino e Sistema Confea/Crea

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“Minha trajetória me forjou a vislumbrar o papel do Conselho e, esta relação, muitas vezes conturbada, com as universidades e faculdades. Naveguei por setores em minha caminhada profissional que me deram a dimensão da necessidade de convergir Conselho e universidades como um todo”, analisou o reitor da Unipampa, Eng. Agr. Roberlaine Ribeiro Jorge, que por dois mandatos atuou como conselheiro do CREA-RS.

 

Relatando sua experiência na iniciativa privada, tanto na área empresarial quanto acadêmica, quando muitos Engenheiros em atuação não eram registrados no Conselho, ressaltou a melhora, mas também a necessidade de evoluir. “É o momento de mudar essa relação. Muitas vezes os profissionais da academia não enxergam o papel e a importância do Sistema Confea/Crea em proteger a sociedade e garantir que os serviços técnicos tenham um profissional habilitado. Muitos só veem o Conselho como uma cobrança, e isso acaba distorcendo a imagem da instituição. Eventos como esse vão elucidar muito destas questões, especialmente falando para os nossos docentes”, defendeu.

Falou, ainda, sobre as mudanças nos Planos Pedagógicos dos Cursos (PPC) e como isso influencia nas atribuições. “Como se dá esse fluxo? O mundo é dinâmico e a universidade e o Conselho precisam acompanhar esse dinamismo”, ressaltou. Abordou também o empreendedorismo nas escolas. “Temos que colocar nossos egressos com os dois pés no mercado de trabalho e para isso os futuros profissionais não podem estar segregados do Crea. É uma relação conjunta e esse diálogo tem que acontecer. Muitas vezes vejo as IEs e o Conselho com um discurso uníssono, mas, como não estão próximos, transparece como um confronto”, lembrou.

 

Citou, ainda, que as escolas façam seu mea culpa sobre o desconhecimento do papel do Sistema Confea/Crea. “Temos que nos aproximar do egresso e, junto com o Crea, potencializarmos nosso contato com a sociedade. Esse trabalho conjunto vai fazer com que nossos cursos e entidades sejam mais fortes. O Crea protege a sociedade, mas não deixa de proteger o profissional, garantindo seu mercado de atuação. Vislumbro para o futuro que esse diálogo com a sociedade será feito de braços dados para mostrar o real valor do Conselho e da formação qualificada”, avaliou.

A Regulamentação e a Fiscalização do Exercício Profissional
e o Alcance do Princípio da Capacidade Técnica

O Geólogo Marco Antonio Fontoura Hansen, coordenador da Câmara de Geologia e Eng. de Minas do CREA-RS e ex-reitor da Unipampa, explica o papel do Sistema Confea/Crea na vida do profissional e da sociedade. “As atividades do Crea são prestar serviço público de orientação, registro e fiscalização do exercício das profissões vinculadas ao Sistema, em benefício dos profissionais e empresas registrados e da sociedade”, explicou.

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 APRESENTAÇÃO   [PDF]  

Por fim, sua abordagem destacou a importância do Conselho, que está ligada aos riscos que a má atuação profissional na área da Engenharia representa. Apesar de todas as pessoas serem capazes de direitos e deveres na ordem civil, não podemos exercê-los de maneira igual, visto que determinadas capacidades de exercício podem ser restritas ou de todo retiradas, explicou o palestrante. “A defesa social decide se precisa de técnica para determinadas profissões. Essa mesma defesa social exige capacitação nas profissões que geram risco. É o risco à coletividade que norteia a interpretação das restrições do direito fundamental à liberdade de profissão. ”

 

“Sendo assim”, continuou, “para certas profissões como a de Engenheiro, existe mais do que a habilitação científica, adquirida com o diploma”, ressaltou Hansen explicando ser também preciso, para exercê-las, ter a habilitação legal ou regulamentação, que depende do registro no Conselho. Por esse motivo, o professor acredita que “tem que haver uma simbiose entre universidade e Crea muito maior, temos que trabalhar e avançar nesse contexto”.

As novas DCNs e as Implicações do Projeto Pedagógico nas

Atribuições Profissionais dos Egressos

Os conselheiros Geól. Adelir José Strieder e Eng. Eletric. Edgar Bortolini falaram sobre as alterações nas DNCs dos cursos de Engenharia e Agronomia e suas implicações nos projetos pedagógicos dos cursos e enquadramento das atribuições aos egressos.

 

“Anteriormente, no currículo mínimo, era assegurada a igualdade e a universalidade mínima profissionalizante para todos que colassem grau em determinado curso superior, não importando onde ele fora cursado”, explicou Strieder, dizendo que os das engenharias trazia uma série de matérias, tópicos e conteúdos que deveriam compor a grade curricular dos cursos e suas cargas horárias.

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“Já dentro das Diretrizes Curriculares, os princípios que seguem são de uma desvinculação entre diploma e exercício profissional. A definição do perfil dos egressos passa a estar intimamente ligada com as responsabilidades e funções que ele poderá exercer dentro do currículo que cursou, e quem tem que definir esse aprofundamento curricular são as instituições de ensino dentro de seus planos”, destacou.

 

O conselheiro também apresentou uma lista de pareceres e resoluções das diretrizes dentro da área das engenharias e agronomias. “Os conteúdos profissionalizantes específicos são os que geram competência e devem ser desmembrados para que se tenha o adequado aprofundamento nestas matérias e posteriormente em suas habilitações”. Cada curso pode optar por especificações conforme suas condições e peculiaridades regionais, explica o conselheiro.  “Dentro das novas DCNs não existem mais aquelas áreas clássicas, chamadas grandes áreas, e sim um elenco de conteúdos e de tópicos que devem ser desmembrados como conteúdos específicos pelas IEs.” 

 

Dando continuidade sobre o tema, o Eng. Edgar Bortolini falou sobre as novas DCNs curriculares da Engenharia, aprovadas em 2019, que teve como princípio norteador a integração dos sistemas educacional e profissional com o setor empresarial.

Destacou o enfoque nas formações múltiplas previstas nas novas diretrizes. “Escolas passaram a trabalhar com esse enfoque mais amplo, buscando dentro da formação abordar habilidades comportamentais (soft skills) aos alunos”, explicou.

 

“Havia uma visão do mercado que se precisava de Engenheiros com habilidades de comunicação e analítica, e maior flexibilidade. E com isso, também os estudantes que não têm mais motivação por aulas meramente teóricas. É um esforço de síntese e não análise. Foi uma mudança no mundo que precisou ser acompanhada pelas Universidades.”

 

Por fim, o conselheiro Strieder ressaltou o que considera ser primordial no atual cenária das DCNs. “A questão das engenharias que não têm áreas nem conteúdos mínimos e comuns definidos passa a ser responsabilidade das IEs em seus currículos para com a sociedade, e do Conselho, na análise para habilitar. Essa articulação entre os entes é fundamental nesse momento.”

O Registro/Cadastro das Instituições de Ensino

​A conselheira do CREA-RS, Engenheira de Segurança do Trabalho Roselaine Cristina Mignoni, mostra como funciona o Registro/Cadastro das Instituições de Ensino Superior e o Cadastro dos Cursos de Graduação e de Pós-Graduação no CREA-RS.

Dispositivos Legais que Normatizam a Concessão de Atribuições Profissionais

Com foco nas legislações e resoluções que normalizam as profissões do Sistema Confea/Crea, o Eng. Seg. Trab. Luiz Henrique Rebouças dos Anjos, coordenador da Câmara de Engenharia de Segurança Trabalho, mostrou um histórico dos principais dispositivos legais desde o Império, retirados do livro publicado pelo Confea, quando comemorou 80 anos de sua criação.

Destacou artigos da lei “mãe” da regulamentação dos Engenheiros, Agrônomos, Geógrafos, Geólogos e meteorologistas, a Lei 5.194/66. “Ela formaliza o título profissional e suas atribuições, assim como garante autoria, responsabilidade e organiza o Sistema Confea/Crea”, citou.
 

Seguiu abordando a Resolução 218, de 1973, que discrimina atividades das diferentes modalidades profissionais, complementando com a Resolução de 2016, nº 1.073, que regulamenta a atribuição de títulos, atividades, competências e campos de atuação profissionais aos profissionais registrados no Sistema Confea/Crea para efeito de fiscalização do exercício profissional no âmbito da Engenharia e da Agronomia.

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  PALESTRA 

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 “Ela apresenta um detalhamento e alinhamento, dentro dos parâmetros de uma nova realidade do convênio entre Confea e MEC, de se adequar a essas necessidades que estamos enfrentando na formação e habilitação de novos profissionais”, ressaltou o Engenheiro. Para ele, é importante que as resoluções estejam ligadas com a segunda Lei de Diretrizes Básicas e com as demais resoluções do Conselho Superior de Educação. “A definição de atribuição profissional é um ato específico, o que amplia, portanto, as responsabilidades das Câmaras dos Creas nos seus processos de análises e concessão de atribuições”, alertou.                                                                                     
 

Por fim, abordou o que considera uma definição do papel dos Conselhos profissionais expressa no Parecer CNE/CES 20/2002. “O que cabe ao Conselho é definir as responsabilidades profissionais, por isso a importância desse processo de convênio e da participação conjunta com o MEC para trabalharmos com essa responsabilidade dos processos de extensão de atribuições para os egressos. Diploma não é aspecto automático, o início do exercício profissional não reside no diploma, mas na análise e no registro do Conselho de Classe”, esclarece.

Autorização do MEC para Abertura de Novos Cursos e Elaboração/Alteração
do Projeto Político Pedagógico: Contribuições do CREA-RS

O penúltimo painel foi conduzido pelo Engenheiro Florestal Pedro Roberto Madruga, também conselheiro do CREA-RS. O professor aproveitou sua experiência como conselheiro e como coordenador de Pós-Graduação da Pró-Reitoria de Pesquisa da Pós-Graduação e Inovação, da Unipampa, para mostrar o passo a passo do processo.
 

O palestrante explicou que, durante a tramitação da abertura de cursos de Engenharia, o MEC não precisa ouvir as considerações do Conselho, ao contrário de cursos como Medicina e Direito, que têm essa discussão como prerrogativas. Este é o motivo, segundo ele, do aparecimento de diversos cursos similares.

  PALESTRA 

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A fim de solucionar esse e outros problemas que envolvem esta relação entre MEC, Crea e universidade, o professor Pedro Roberto sugere que, ainda no grupo de pesquisa, o assunto seja trabalhado. Além disso, são fundamentais as ações junto aos cursos de áreas tecnológicas, encabeçadas pelos conselheiros que vieram das instituições, assim como ele. “Essas medidas devem ser adotadas não apenas no início do curso, mas reiteradas ao longo da formação dos Engenheiros, sugeriu.

Quais são os Caminhos da Engenharia e da Agronomia? Certificação Profissional? Exame de Proficiência? Residência para Formandos?

O Eng. Agr. Luiz Antonio Corrêa Lucchesi, conselheiro federal e coordenador da Comissão de Educação e Atribuição Profissional (CEAP), foi o último palestrante, abordando três importantes temas aos futuros Engenheiros: certificação profissional, exame de proficiência e residência para formandos.
 

Depois de uma breve introdução sobre os sistemas de educação e o profissional no Brasil, ressaltou o papel das Comissões Permanentes, informando ser a CEAP a promotora da interface entre o sistema profissional e o educacional.  “Estamos cuidando disso agora, no que destaco medidas que estimulem as instituições de ensino a tratarem da qualificação profissional como um processo continuo. Temos um plano de trabalho, aprovado e discutido junto às comissões dos regionais, com foco em ações políticas junto ao Legislativo e ao Executivo, com vistas a chegarmos também ao Judiciário”, explicou, informando que, além do MEC, realizam audiências com outras pastas relacionadas à área tecnológica, como a da Agricultura e Meio Ambiente. “Precisamos do apoio de todos para ter o respaldo e sermos ouvidos”, evocou.
 

Entre os temas tratados, deu ênfase às autorizações e aos reconhecimentos de novos cursos e o Ensino a Distância. “Temos várias ações nesse sentido, uma delas é a criação da Comissão da Certificação da Profissão de Engenheiro Agrônomo, que foi aprovada no último ano. ” Salientou ser uma preocupação do Confea a proliferação de cursos e pulverização de títulos, no que considera existiram mudanças a serem feitas em legislações federais, dando como exemplo as normas que regem a formação dos tecnólogos.
 

Para ele, é um “ato histórico” o protagonismo do Confea junto ao Conselho Nacional de Educação. “O Conselho Federal entrou como copromotor no 10º Fórum de Gestores das Instituições de Ensino e está com a coordenação nacional para participação na comissão das próximas Diretrizes Nacional de Educação”, explicou.  “Estamos trilhando caminhos sob o arcabouço da complexidade do emaranhado de leis do Brasil. Para sermos donos do nosso futuro temos que conhecer a legislação que regulamenta nossas profissões”, defendeu.
 

Abordando algumas destas legislações, destacou a necessária uniformização da Resolução 1.073, que regulamenta a atribuição de títulos, atividades, competências e campos de atuação profissionais aos profissionais. “Esta Resolução gerou oportunidades para a flexibilização que a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) já permitia. Ela é muito importante para o nosso futuro”, ponderou.
 

Fez destaque, ainda, para o Artigo 43 da LDB, que dispõe sobre a finalidade da educação superior, e da importância de se “alcançar os objetivos maiores da lei”. E, com isso, indagou aos ouvintes: “Que profissional a sociedade quer e o Brasil precisa? Que profissional o Sistema Educacional está formando? Que profissional formaremos no futuro? Serão Engenheiros de solução ou usuários de tecnologia? Atuação regional ou global? ” Para o conselheiro federal, também é necessário perguntar por que não há representantes do Sistema Profissional no Sistema de Educação.
 

Por fim, falou sobre a residência profissional, ressaltando a experiência realizada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde, por meio de convênio com entidades privadas, se tem um ano de treinamento acadêmico em sala de aula aliado com prática em empresas. “A chamada Agroresidência foi editada em maio pelo Mapa, então existe legislação amparando essa opção, que precisa agora de iniciativa das escolas”, avaliou. 
 

O exame de ordem ou a certificação encerrou sua apresentação, onde informou que a proposta foi acatada pelo Confea, por hora, para a área agronômica. “Existem poucos modelos a serem seguidos, mas estamos trabalhando nesse programa de certificação com entidades que já têm programa válido nos Estados Unidos”, informou. De acordo com ele, a meta é ter em breve o primeiro exame de certificação, explicando que a prova será optativa. “Seria um plus no currículo do profissional”, adiantou.

Perfil do egresso sob as novas DCNs

Art. 3º O perfil do egresso do curso de graduação em Engenharia deve compreender, entre outras, as seguintes características:

I – ter visão holística e humanista, ser crítico, reflexivo, criativo, cooperativo e ético e com forte formação técnica;
II – estar apto a pesquisar, desenvolver, adaptar e utilizar novas tecnologias, com atuação inovadora e empreendedora;
III – ser capaz de reconhecer as necessidades dos usuários, formular e analisar e resolver, de forma criativa, os problemas de Engenharia;
IV – adotar perspectivas multidisciplinares e transdisciplinares em sua prática;
V – considerar os aspectos globais, políticos, econômicos, sociais, ambientais, culturais e de segurança e saúde no trabalho;
VI – atuar com isenção e comprometido com a responsabilidade social e com o desenvolvimento sustentável.

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